Em meio a desastres, pandemias, guerras e situações adversas, um dos maiores desafios, para todos, é sentir-se orientado em meio ao caos. O que fazer, se não posso seguir a minha vida na rotina normal que sempre segui e sempre aprendi a fazer? Como criar rotina quando o que se propõe como padrão de vida está fora da rotina? A dificuldade de criar uma nova rotina evidencia o quanto estamos despreparados para enfrentar adversidades e o quanto estamos conectados com o sistema do jeito que ele é.
Sim, estamos despreparados para enfrentar novidades, não nos sentimos confortável com cenários que exigem mudanças de nossos comportamentos. Fico me perguntando e imaginando quando a humanidade era nômade (há mais de 10.000 anos), pensamentos vagos me levam a acreditar que naquele tempo o que menos existia era “rotina”, pois todo dia se precisava ir em busca da caça e da coleta de alimentos com abrigos temporários e visitas inesperadas que poderiam chegar em qualquer momento. O surgimento da agricultura começou a mudar os hábitos da humanidade, quem tinha o mundo como casa, agora passa a ter uma casa no mundo, quem ia atrás do alimento, agora produzia e cultivava o alimento e assim fomos nos adaptando, nos limitando ao território e aos frutos do trabalho.
Desde o surgimento da agricultura muito tempo se passou, o mundo se modernizou, aprendemos a fazer casas, castelos, nos organizamos em comunidades, criamos o Estado, aprendemos a viver em nossos limites, respeitamos limites, possuímos uma vida ordenada, ainda mais com o surgimento da indústria que organizou e padronizou ainda mais o trabalho (Com o surgimento e avanço da indústria passamos a viver uma rotina, dentro da rotina – tema para outro momento).
No século XXI tudo o que é rotineiro passa a ser questionado pela indústria 4.0, pelo mundo digital que emerge na nossa vida como uma nova ordem, com um novo pensamento sobre os limites e sobre o nosso trabalho para ganhar e garantir o pão. No fundo, somos convidados a viver novos limites (o do mundo digital) e novas formas de ganhar a vida. Para algumas pessoas as mudanças propostas já se tornaram uma realidade, porém, para a grande maioria é ainda incompreensível estas mudanças.
O novo sempre é desconfortável, ainda mais quando se é forçado a viver o novo.
Para não correr o risco de enlouquecer o melhor remédio é criar rotina. A palavra “rotina” deriva do Francês Routine que significa “trilha batida, curso costumeiro de ação” e também de “rota” do Latim (via rupta) caminho rompido. Ou seja, o que se propõe neste momento são duas cosias: 1) Abrir um novo caminho que possamos seguir em segurança; 2) Percorrer insistentemente este novo caminho (bater a trilha).
Deixo algumas dicas para quem quiser ser eficiente em tempos difíceis que exige a criação de novos hábitos:1) Conectar somente o que não dispersa. Evitar deixar-se levar por distrações básicas que não estejam de acordo com os teus objetivos. 2) Criar um cronograma de tarefas elencando prioridades, tentando resolver problemas sempre das mais simples para as mais difíceis (Exemplo: entre assistir um vídeo e ler um PDF o que é melhor? Dependerá de cada pessoa a resposta);3) Inove, use parte do seu tempo para trilhar caminhos diferentes. Crie novas condições de trabalho, aprenda a lidar com a situação que se impõe de forma criativa e inovadora.Lembre-se do que diz Domenico de Masi “criatividade exige gestão de tempo, ela se nutre de ócio. Ideias precisam tempo para introspecção”. Neste ócio que somos convidados a viver aproveitemos, já que “são os ociosos que mudam o mundo porque os outros não tem tempo algum” (Alberto Camus).